Capítulo 8 Análise empírica

Nos próximos parágrafos, passo à apresentação do detalhamento empírico do artigo — incluindo o caso, o desenho de pesquisa e os principais resultados. Esta é a parte em que você mostra onde sua análise se ancora, como os dados foram coletados e analisados, e de que maneira os achados respondem à pergunta de pesquisa formulada na introdução.

Essas três seções — caso, desenho e resultados — precisam estar bem articuladas com a teoria e com as hipóteses que você apresentou anteriormente. O leitor precisa compreender não apenas o que você descobriu, mas como você chegou a essas conclusões e por que elas fazem sentido dentro do arcabouço proposto.


8.1 Caso ou contexto

8.1.1 Objetivo da subseção

Apresentar o caso que você selecionou para testar suas hipóteses, mostrando suas particularidades e até que ponto ele pode ou não ser comparável a outros casos.

8.1.2 O que incluir

  • O contexto institucional, histórico ou político no qual a pesquisa foi realizada.
  • A explicação para um leitor leigo entender as bases que estruturam o fenômeno analisado.
  • As relações de poder que afetam o funcionamento do caso.
  • Um breve histórico da organização ou política analisada.
  • Indicação de casos semelhantes e justificativa da escolha.
  • Delimitação clara do escopo do estudo (o que está e o que não está sendo analisado).

O objetivo aqui não é apenas descrever o caso, mas justificar por que ele é adequado para investigar a pergunta de pesquisa.

Neste sentido, não tente vender seu caso como uma “jabuticaba” ou algo muito excepcional. Um bom caso é aquele que serve para testar algo generalizável. Se o seu caso é diferente demais de todo o resto que existe, sua explicação acaba sendo útil apenas para ele mesmo.

8.1.3 Extensão sugerida

Entre 8 e 10 parágrafos, com 100 a 150 palavras cada, totalizando entre 800 e 1.500 palavras.


8.2 Desenho de pesquisa

8.2.1 Objetivo da subseção

Apresentar o desenho empírico elaborado para testar as hipóteses formuladas anteriormente, deixando claro como as evidências foram coletadas e analisadas.

8.2.2 O que incluir

  • Como os dados foram coletados (fontes, período, nível de análise).
  • Como foram construídas as variáveis dependentes e independentes.
  • Quais testes ou métodos foram utilizados para verificar as hipóteses (ex: modelos de regressão, análise de correspondência, experimento de survey etc.).

O foco aqui não é explicar a técnica em si, mas demonstrar sua adequação ao problema investigado e sua coerência com a teoria apresentada.

Por exemplo, se o seu trabalho se trata de um experimento de survey, esta seção deve explicar como cada questão e vinheta foram construídas e porque elas são ideais para testar as hipóteses que você formulou.

8.2.3 Extensão sugerida

Entre 6 e 10 parágrafos, com 100 a 150 palavras cada, totalizando entre 600 e 1.500 palavras.


8.3 Resultados

8.3.1 Objetivo da subseção

Apresentar os principais achados empíricos, discutindo como cada um confirma ou não as hipóteses formuladas anteriormente.

8.3.2 O que incluir

  • Tabelas com dados descritivos (média, desvio padrão, valores mínimos e máximos).
  • Interpretação geral dos dados, com possíveis comparações com a literatura ou expectativas iniciais.
  • Resultados de regressões ou testes estatísticos, com breve explicação dos indicadores gerais (ex: R², significância, variância explicada).
  • Descrição dos coeficientes, mostrando como cada um se relaciona com as hipóteses.
  • Destaque para padrões relevantes, efeitos inesperados ou variações relevantes entre subgrupos.

Evite apresentar resultados sem interpretação. O leitor precisa entender o que os dados estão dizendo e como eles dialogam com sua pergunta de pesquisa. Não assuma que o leitor entenderá algo sem explicação simplesmente por estar em uma tabela ou gráfico.

8.3.3 Extensão sugerida

Entre 8 e 10 parágrafos, com 100 a 150 palavras cada, totalizando entre 800 e 1.500 palavras.


No próximo capítulo, passo à discussão dos resultados e à conclusão do artigo. A discussão é o momento de interpretar os achados com mais profundidade, mostrando como eles confirmam (ou não) as hipóteses e como dialogam com a literatura revisada. Já a conclusão retoma a pergunta inicial, destaca a contribuição do estudo, reconhece suas limitações e propõe caminhos para futuras pesquisas. É nessas seções finais que o seu argumento se consolida e sua pesquisa mostra a que veio.