Capítulo 8 Análise empírica
Nos próximos parágrafos, passo à apresentação do detalhamento empírico do artigo — incluindo o caso, o desenho de pesquisa e os principais resultados. Esta é a parte em que você mostra onde sua análise se ancora, como os dados foram coletados e analisados, e de que maneira os achados respondem à pergunta de pesquisa formulada na introdução.
Essas três seções — caso, desenho e resultados — precisam estar bem articuladas com a teoria e com as hipóteses que você apresentou anteriormente. O leitor precisa compreender não apenas o que você descobriu, mas como você chegou a essas conclusões e por que elas fazem sentido dentro do arcabouço proposto.
8.1 Caso ou contexto
8.1.1 Objetivo da subseção
Apresentar o caso que você selecionou para testar suas hipóteses, mostrando suas particularidades e até que ponto ele pode ou não ser comparável a outros casos.
8.1.2 O que incluir
- O contexto institucional, histórico ou político no qual a pesquisa foi realizada.
- A explicação para um leitor leigo entender as bases que estruturam o fenômeno analisado.
- As relações de poder que afetam o funcionamento do caso.
- Um breve histórico da organização ou política analisada.
- Indicação de casos semelhantes e justificativa da escolha.
- Delimitação clara do escopo do estudo (o que está e o que não está sendo analisado).
O objetivo aqui não é apenas descrever o caso, mas justificar por que ele é adequado para investigar a pergunta de pesquisa.
Neste sentido, não tente vender seu caso como uma “jabuticaba” ou algo muito excepcional. Um bom caso é aquele que serve para testar algo generalizável. Se o seu caso é diferente demais de todo o resto que existe, sua explicação acaba sendo útil apenas para ele mesmo.
8.2 Desenho de pesquisa
8.2.1 Objetivo da subseção
Apresentar o desenho empírico elaborado para testar as hipóteses formuladas anteriormente, deixando claro como as evidências foram coletadas e analisadas.
8.2.2 O que incluir
- Como os dados foram coletados (fontes, período, nível de análise).
- Como foram construídas as variáveis dependentes e independentes.
- Quais testes ou métodos foram utilizados para verificar as hipóteses (ex: modelos de regressão, análise de correspondência, experimento de survey etc.).
O foco aqui não é explicar a técnica em si, mas demonstrar sua adequação ao problema investigado e sua coerência com a teoria apresentada.
Por exemplo, se o seu trabalho se trata de um experimento de survey, esta seção deve explicar como cada questão e vinheta foram construídas e porque elas são ideais para testar as hipóteses que você formulou.
8.3 Resultados
8.3.1 Objetivo da subseção
Apresentar os principais achados empíricos, discutindo como cada um confirma ou não as hipóteses formuladas anteriormente.
8.3.2 O que incluir
- Tabelas com dados descritivos (média, desvio padrão, valores mínimos e máximos).
- Interpretação geral dos dados, com possíveis comparações com a literatura ou expectativas iniciais.
- Resultados de regressões ou testes estatísticos, com breve explicação dos indicadores gerais (ex: R², significância, variância explicada).
- Descrição dos coeficientes, mostrando como cada um se relaciona com as hipóteses.
- Destaque para padrões relevantes, efeitos inesperados ou variações relevantes entre subgrupos.
Evite apresentar resultados sem interpretação. O leitor precisa entender o que os dados estão dizendo e como eles dialogam com sua pergunta de pesquisa. Não assuma que o leitor entenderá algo sem explicação simplesmente por estar em uma tabela ou gráfico.
8.3.3 Extensão sugerida
Entre 8 e 10 parágrafos, com 100 a 150 palavras cada, totalizando entre 800 e 1.500 palavras.
No próximo capítulo, passo à discussão dos resultados e à conclusão do artigo. A discussão é o momento de interpretar os achados com mais profundidade, mostrando como eles confirmam (ou não) as hipóteses e como dialogam com a literatura revisada. Já a conclusão retoma a pergunta inicial, destaca a contribuição do estudo, reconhece suas limitações e propõe caminhos para futuras pesquisas. É nessas seções finais que o seu argumento se consolida e sua pesquisa mostra a que veio.